Como lidar com a resistência às mudanças: 3 dicas simples pra evitar que ela afete o seu trabalho (e a sua dieta também)

Tempo de leitura: 13 minutos

Quem já teve que lidar com a resistência às mudanças no trabalho sabe que essa é uma tarefa bem difícil – e frustrante, em muitos casos.

Você vive tentando promover uma grande mudança, daquelas que vão melhorar a vida de várias pessoas, mas nunca consegue.

Testes unitários e Agile são os exemplos mais comuns. Porém, até mudanças simples, como evoluir uma versão de framework ou de um software, podem se tornar um desafio.

E o curioso é que, na maioria dos casos, os envolvidos sabem que a mudança é positiva!

Eles enxergam os benefícios e a necessidade de fazer diferente, mas na hora de botar a mão na massa, ninguém se habilita.

Por que isso acontece? Será um problema cultural, principalmente nas grandes empresas? Ou falta coragem pra encarar as incertezas?

O objetivo deste artigo é te ajudar a entender o que cria essa resistência às mudanças. Também vou apresentar 3 dicas que vão te ajudar a sofrer menos nessas situações.

Continue lendo, tenho certeza de que esse conteúdo vai te ajudar de alguma forma.

Ou se preferir, utilize o player abaixo para ouvir a versão em áudio.

Antes de mais nada, vamos deixar claro: mudar não é algo impossível!

Cubo mágico
É como o cubo mágico, basta entender como funciona.

É claro que não é impossível promover grandes mudanças na sua equipe, ou até mesmo na sua empresa.

A solução mais utilizada no mercado é convencer a chefia a contratar uma consultoria ou um coach pra ajudar nessa missão.

Essa prática funciona, e popularizou a frase “cultura se muda de cima pra baixo”. Manda quem pode, obedece quem tem juízo, não é?

Só tem um problema: o que fazer se a empresa não quiser mudar?

As opções mais comuns são:

  1. Abrir a sua própria empresa, e lá você pode fazer tudo do seu jeito.
  2. Mudar de emprego.
  3. Aceitar a insatisfação e reclamar disso em toda conversa de almoço e café.

A menos que você esteja disposto a encarar as opções 1 e 2, o que resta é virar um reclamão inconformado.

Mas não se preocupe, existem outras alternativas. Você não precisa se transformar num profissional medíocre e estagnado.

Bom, antes de falar dessas alternativas precisamos entender melhor o problema. Senão, você vai achar que é tudo papo furado.

Por que temos tanta resistência às mudanças, mesmo sabendo que nossa vida pode melhorar?

Criança emburrada
Criança contrariada fica emburrada. E alguns adultos também…

Porque não gostamos de mudar. Simples assim.

Tá, no fundo não é tão simples. Pra explicar o meu ponto, vou usar um exemplo que faz parte da vida de muitas pessoas: a dificuldade de perder peso.

A frase mais popular entre quem quer emagrecer é “segunda-feira eu vou pra academia e começo a dieta!”.

Uns passam o domingo enchendo a pança de cerveja e macarrão, dizendo que vão pegar firme na dieta amanhã. Só que nunca começam.

Outros se matriculam na academia em janeiro e cancelam no meio do ano, dizendo que não conseguem ir todos os dias. E inventam desculpas esfarrapadas pra eles mesmos.

Depois dizem que não conseguem emagrecer. Por que será?

Todos sabem que manter o peso ideal é importante pra saúde e pra ter uma vida longa. Então, por que é tão difícil seguir a dieta e fazer exercícios?

É uma boa pergunta. Por quê?

Por quê?
Por quê? Por quê?

Bom, em partes não é culpa nossa.

O ser humano gosta de rotinas. Nós gostamos da zona de conforto, de fazer sempre as mesmas coisas.

Não é só por comodismo ou por falta de força de vontade. Existe um motivo razoável pra isso.

Nosso cérebro é programado pra fazer o menor esforço possível.

Vamos imaginar algo bem simples, como andar pela rua. O que seria do cérebro se ele tivesse que processar cada informação que recebe durante uma caminhada?

Um cachorro que passou, outro pedestre, coordenar os músculos do corpo, a respiração, o ritmo de cada passada…

São muitas coisas, impossível fazer tudo ao mesmo tempo!

Pra resolver isso, ele cria atalhos – ações automáticas que seguem um caminho padrão e economizam esforço.

Um bom exemplo é a digitação. No começo você precisa se concentrar na posição das mãos, e fica olhando pro teclado.

Depois de um tempo, o corpo e a mente se acostumam, e você começa a digitar tão rápido quanto um hacker dos filmes de Hollywood.

Essa característica é boa pra nossa sobrevivência, mas é o que gera o nosso gosto pela zona de conforto.

Quando o cérebro encontra um caminho padrão, é difícil fazer ele mudar de direção. Ele vai martelar na sua mente que escolher outro caminho é errado, porque vai exigir mais esforço.

É nessa hora que você deixa de ir pra academia, porque o corpo diz “não vai hoje não, melhor assistir TV tomando um sorvete!”.

É por isso que você não testa seu programa direito, porque o cérebro diz “acabamos, vamos pra próxima! Tá tudo funcionando, você não ia fazer bobagem!”.

E é por isso que você deixa de lado aquela tarefa importante, mas que parece difícil demais. “Olha, isso vai ser complicado… deixa pra depois, relaxa…”.

Claro que não é tão orgânico assim, senão as academias estariam falidas e ninguém conseguiria trabalhar com Scrum.

Lembra que eu disse que em partes não é nossa culpa?

Sim, a culpa também é nossa

Homem sentido culpa
Você tem culpa sim, pode se envergonhar. E sem drama, por favor.

O cérebro é culpado pela parte inconsciente do troço. A parte consciente é responsabilidade nossa mesmo.

A verdade é que somos imediatistas demais. Eu não sei como eram as pessoas há 100 anos, mas nós não temos paciência pra nada.

Talvez seja um reflexo da vida atual, já que a tecnologia tornou tudo mais fácil e mais rápido.

Você se imagina conversando com alguém por carta?

No século passado cada carta demorava semanas pra chegar. Hoje em dia, ler uma mensagem no celular e não responder na hora é motivo de briga.

Essa velocidade criou uma geração de ansiosos e impacientes, que não quer esperar pra ver se vai dar certo. Eles querem tudo pra ontem.

A questão é que grandes transformações exigem tempo pra implementar e gerar resultados. Não se consegue as coisas boas da vida do dia pra noite.

Todos querem ter uma vida saudável, mas ninguém gosta de fazer exercícios ou de evitar doces e frituras.

Programadores não gostam de bugs, mas também não gostam de desperdiçar o seu tempo fazendo testes. Querem acertar na primeira e terminar o mais rápido possível.

Os apostadores querem ser ricos, mas não gostam de trabalhar. Eles preferem tentar a sorte na loteria ou nos caça-níqueis.

É por isso que tem gente ganhando dinheiro com dietas da lua, fórmulas da Mega Sena e métodos de emagrecimento.

Vamos à prática: 3 dicas pra diminuir a resistência às mudanças

Sargento berrando
Comece a praticar agora! Entendeu???

Agora que você já sabe porque é tão difícil encarar uma mudança, vou apresentar 3 dicas que podem te ajudar nessas situações.

São ações simples que você pode colocar em prática hoje, e que vão ajustar o seu mindset ao longo do tempo.

O foco aqui é mudar a sua atitude, e não a dos outros. Já que parte do problema está no nosso próprio comportamento, é fundamental corrigir a si mesmo antes de cobrar os coleguinhas.

Lembrando que, embora sejam dicas simples, não é fácil mudar a sua mentalidade. Tenha paciência e seja persistente, o esforço vai valer a pena.

Dica 1 – Crie consciência

Homem meditando
Não tem nada a ver com meditação, é que essa foto lembra consciência.

Entender como a nossa mente funciona é o primeiro passo desta dica. E esse foi o objetivo da primeira parte do artigo.

Criar consciência é saber identificar o momento em que o gatilho causador da resistência é ativado. Se você perceber quando isso acontece, pode fazer algo pra evitar.

Por exemplo: se você tem dificuldade com os testes, pode escrever num post-it “Só está pronto se foi testado!” e colar no seu monitor.

Quando terminar uma atividade e o seu cérebro disser “não precisa testar”, basta olhar pro post-it. Isso vai criar um incômodo, uma sensação de que o trabalho está incompleto.

Parece idiota, mas é muito poderoso. Experimente, e vai ver que é difícil ignorar algo que fica martelando na sua cabeça.

Dica 2 – Pare de reclamar e comece a agir

Homem correndo na praia
Comece a agir, e os outros vão seguir as suas pegadas.

Por mais que você reclame, os problemas vão continuar lá, no mesmo lugar.

E além de não resolver, não serve nem pra desabafar e se sentir melhor. Quanto mais você reclama, mais irritado fica.

Ao invés de ficar de mimimi, faça alguma coisa a respeito. Qualquer coisa.

Quando você troca a reclamação pela ação, deixa de ser uma vítima e passa a ser um agente da mudança. E isso gera dois efeitos interessantes:

  1. Sua mente vai ficar mais tranquila, com uma sensação de dever cumprido. Afinal, você fez alguma coisa, não ficou parado esperando o universo se manifestar.
  2. Aos poucos, as pessoas mais próximas vão começar a te seguir e fazer a mesma coisa. A liderança pelo exemplo espalha boas atitudes pela empresa mais rápido do que fofoca de corredor.

Uma dica extra: extraia métricas de tudo o que fizer e compare os resultados a cada etapa concluída.

Pra agir, você precisa de coragem e incentivo. E não há nada melhor pra dar aquele empurrãozinho do que ver a própria evolução.

E é importante ver mesmo, num gráfico e impresso no papel, porque isso vai gerar uma vontade de fazer cada vez mais.

Dica 3 – Ajuste as suas prioridades

Homem multitask
Não dá tempo de fazer tudo ao mesmo tempo.

Tem duas frases que representam bem a relação entre as nossas prioridades e a necessidade de mudança.

“Vou fazer quando tiver tempo, agora não é hora”.

Essa frase é, no mínimo, curiosa. Se não é hora de fazer, é porque não é importante. E se não considera importante, nunca vai arrumar tempo pra fazer!

Se hoje você não testa o seu programa direito ou não faz exercícios físicos, seria diferente se tivesse tempo sobrando? Acho que não…

“Vou demorar pra aprender, e não tenho tempo agora”.

Se é algo que vai melhorar a sua vida, não tem motivo pra procrastinar.

Frases como essa indicam que você não enxerga valor na mudança, mesmo que a situação atual seja ruim. O medo do inesperado faz você arrumar desculpas.

Aprender algo novo pode ser difícil e demorado, mas se você não começar logo, nunca vai ser mais rápido.

Tempo é uma questão de prioridade. É normal priorizar aquilo que mais incomoda no momento, mas você precisa decidir isso com base em fatos, e não em sentimentos.

Por exemplo, quando um sistema está com muitos bugs, a reação padrão é colocar mais pessoas pra corrigir. Lembra dos atalhos do cérebro?

No entanto, pode ser que o time esteja gerando mais bugs porque não faz bons testes. Ou talvez seja alguma dificuldade pra entender os requisitos.

Nesse caso, aumentar a equipe não vai resolver o problema, só vai disfarça-lo. Quantas vezes você já passou por isso?

Pra melhorar a sua habilidade de descobrir e priorizar aquilo que “ganha o jogo”, procure entender o contexto e atacar as causas, ao invés dos efeitos.

Olhar pro longo prazo é mais trabalhoso, mas vai preservar a sua saúde.

As pessoas se concentram em emergências, não em urgências. – Seth Godin

Concluindo…

Programando e anotando

A resistência às mudanças pode gerar experiências frustrantes, principalmente quando tentamos transformar nossa própria vida ou o nosso trabalho.

Mas não perca seus cabelos com isso, concentre-se em mudar a sua atitude antes de tentar mudar a dos outros.

As pessoas mudam porque elas querem, e não porque você quer. Cada um tem o seu tempo, por isso é muito mais fácil começar a transformação por você.

Tente aplicar cada uma dessas 3 dicas com calma, e reavalie os resultados sempre que puder. Tenho certeza de que a sua resistência às mudanças vai diminuir com o tempo.

Você vai ver que as coisas ao seu redor vão começar a mudar.

E aí, o que achou deste artigo? Você já passou por situações parecidas e resolveu de forma diferente?

Me conta aí nos comentários, gostaria muito de saber a sua opinião e a sua experiência sobre o assunto.

E se você acha que este artigo pode ajudar mais pessoas, que tal compartilhá-lo através dos links abaixo?

  • Por e-mail (pros mais chegados ou pro pessoal do trabalho)
  • No Facebook (muita gente vai ler, com certeza)
  • No Twitter (muita gente vai ler se você for famoso)
  • No LinkedIn (seus contatos que estão procurando emprego vão ler)
  • No Google Plus (acho que ninguém vai ler… mas manda bala)

Abraço!!

 

Créditos da trilha sonora da versão em áudio:

“Dreamer”, Kevin MacLeod (incompetech.com)
“Galway”, Kevin MacLeod (incompetech.com)
Licensed under Creative Commons: By Attribution 3.0 License