6 coisas incríveis que aprendi num curso de palhaço e que não aprenderia no escritório (não, fazer animais de bexiga não é uma delas)

Tempo de leitura: 13 minutos

Sim, eu fiz um curso de palhaço. E foi legal demais, em vários sentidos.

Mas o que leva um cara de TI a fazer um curso desse tipo? Não seria melhor gastar essa grana com uma certificação, por exemplo? Cadê o foco?

Bom, depende do seu planejamento de carreira. Eu diria que, entre os vários motivos que me fizeram optar por esse curso, o principal foi a timidez.

Se você também é tímido demais, aí vai uma constatação minha: não dá pra se livrar da timidez, mas você pode aprender a lidar com ela.

Por isso, eu procuro fazer qualquer coisa que me ajude nesse sentido. Poderia ser um curso de teatro também, mas achei que aprender sobre o palhaço seria mais divertido.

Depois de algumas incidências e coincidências, acabei pesquisando sobre o tema e encontrei um curso do Esio Magalhães, na Casa do Humor.

O Esio é bem conhecido no meio, já fez vários espetáculos, alguns programas de TV, trabalhou com artistas circenses de fama internacional, e por aí vai.

Como eu não conheço nada desse mundo, não sabia de nada disso e nunca tinha ouvido falar do cara. Isso só serviu pra me deixar com várias dúvidas na cabeça.

Como você deve estar agora, porque eu só enrolei e ainda não falei do curso.

Mas e aí, como foi essa parada?

Bem, eu diria que o resultado foi surpreendente. Foi um banho de autoconhecimento, e um aprendizado muito profundo sobre relações interpessoais.

O curso mexe muito com sensações e sentimentos, coisas que não costumam ser associadas à área de TI, onde tudo tende à razão e à lógica.

E é por isso que eu resolvi escrever este artigo: pra compartilhar 6 coisas que aprendi durante o curso e que me fizeram refletir sobre muitos pontos da minha carreira e dos meus relacionamentos.

Já vou avisando que o texto não fala sobre a arte do palhaço, essa eu deixo pro Esio ou pra outros especialistas.

São coisas que aprendi tendo contato com uma arte bem diferente da nossa, comecei a aplicar no meu dia a dia e estão gerando bons resultados.

Leia até o final, tenho certeza que esse artigo vai te ajudar a encarar vários aspectos da sua vida de uma outra forma.

Ou se preferir, utilize o player abaixo para ouvir a versão em áudio.

#1 – Fazer coisas diferentes deixa sua mente mais esperta

Uma mente mais esperta
Quanto mais exercitar, melhor ela fica.

Eu gosto de fazer coisas que me tiram da zona de conforto. E levo isso bem a sério, faz parte das minhas metas anuais.

Sabe por quê? Pra dar uma agitada no cérebro.

Não, não tem nada a ver com tomar tequila e balançar a cabeça feito um doido.

Sua mente se acostuma com as informações que recebe todos os dias, e com o tempo ela entra em modo automático.

Um bom exemplo disso é dirigir um carro. Quando você tá aprendendo, não consegue conversar e dirigir ao mesmo tempo. Depois de alguma prática, você consegue até digitar uma mensagem no celular enquanto faz aquela curva na avenida (eu sei que você consegue, mas não faça isso).

Se você sai do automático, sua capacidade de aprender é potencializada, porque a mente fica alerta pra receber novas informações.

Bem, se expor ao público fazendo palhaçada não é algo exatamente normal pra alguém tímido como eu. E toda essa carga emocional fez o meu cérebro processar as coisas de pontos de vista bem diferentes.

Em 5 dias, aprendi muito sobre empatia, expressão corporal, programação neurolinguística, foco, intenção, atitude, aceitação, preocupação com o outro.

Tudo isso porque estava olhando de outra perspectiva, diferente da que estou acostumado. Talvez aconteçam coisas parecidas no meu dia a dia, mas eu nunca repararia nelas dentro do escritório, por exemplo.

Achou interessante? Experimenta fazer alguma coisa fora do padrão durante essa semana, garanto que vai ser bacana.

#2 – As pessoas são diferentes, e você precisa entender isso

Pessoas diferentes
Algumas diferenças são fáceis de ver, outras não.

Tá, você já sabe que as pessoas são diferentes. Mas será que você entende isso de verdade?

Quantas vezes você discutiu com alguém só pra provar que tinha razão? E quantas vezes você criticou outra pessoa porque ela fez algo que não lhe parecia certo?

Certo ou errado são conceitos muito relativos. E não é papo de monge ou de mestre enigmático do Kung Fu.

Pensa um pouco aí. Vai dizer que você nunca se envergonhou de algo que fez no passado? Maluquices de carnaval não contam…

Um código zuado que escreveu há 2 anos, uma atitude explosiva no início da carreira, uma roupa que comprou e não combina mais, o cabelo que usava aos 15 anos…

Bate uma vergonha, mas tá tudo bem. Era a sua verdade, o que você achava certo naquela época.

A cada ano que passa, nossa mentalidade muda muito. E quando você entende que essas mudanças são normais, consegue enxergar que as divergências entre você e as outras pessoas fazem parte desse mesmo processo.

São apenas verdades diferentes, cada pessoa no seu próprio tempo. E essas diferenças criam conexões incríveis, com muitas oportunidades de aprendizado.

Da próxima vez que entrar numa discussão, tente gastar mais energia em entender o ponto de vista do outro, ao invés de tentar provar que tem razão.

No fim das contas, virou papo de monge mesmo. Mas você entendeu, né…

#3 – Seja você

Velhinha mostrando o dedo
É legal, mas não é autêntico.

Nas várias interações que tínhamos durante o curso, ficou bem claro que as coisas mais engraçadas eram as mais autênticas, aquelas que vinham de dentro.

Nosso cérebro é muito bom em perceber coisas falsas, do tênis da Mike às montagens do Chapolin (acho que os mais novos não vão entender essa).

É por isso que um sorriso falso pode soar ofensivo. Ou uma palhaçada forçada, cheia de encenação, pode não ser tão engraçada.

Às vezes buscamos talentos e aptidões do lado de fora, quando já temos muita coisa boa pra oferecer.

O medo do julgamento (próprio e das outras pessoas) nos leva a pensar que nunca estamos prontos, ou que precisamos fazer algo a mais pra sermos bem sucedidos.

Você já tem algo de bom aí dentro, só precisa aprender a colocar pra fora. O mundo precisa de você e do seu talento, mesmo que você ache que é “só isso”.

Ao aceitar a si mesmo, você começa a entender melhor seus pontos fracos e pode usá-los a seu favor.

Se você é baixinho, dificilmente vai ser um profissional de basquete, mas pode ser um bom ginasta.

Se você usa óculos fundo de garrafa, talvez não possa ser modelo, mas pode ser uma comediante stand up e usar isso pra fazer piada.

Transformar fraquezas em fortalezas não é fácil, mas é um baita diferencial no mercado de trabalho.

#4 – Se algo não está bom, teste coisas novas

Cachorro quente
Cansei de ser cachorro, vou mudar um pouco.

Não foram poucas as vezes em que a gente tentava fazer graça e ninguém ria. Deve ser bem difícil quando isso acontece numa apresentação…

Nessas horas, o Esio sempre dizia: “Não está funcionando, tente outra coisa!”.

Pra descobrir se algo funciona ou não, é só testar. E se o resultado não foi bom, você muda e testa outra coisa. Simples, não?

Bom, não é tão simples assim. Temos medo de tentar algo novo porque temos muito medo de errar.

Temos tanto medo de errar que preferimos deixar como está, mesmo que a situação seja desfavorável e o resultado não seja bom.

Isso aconteceu no curso, a gente demorava um pouco pra mudar e tentar outras coisas.

Tenho certeza de que você já viu algo do tipo no seu trabalho também. Por exemplo, quando o time reclama de um processo lento e burocrático, mas na hora de tentar algo novo, ninguém quer se arriscar.

E nos relacionamentos então, isso é ainda mais comum. Ou vai me dizer que você nunca conheceu alguém que ficou muitos anos junto de outra pessoa, mesmo sem gostar? Em alguns casos até passando por violências físicas ou psicológicas?

Errar é bom, porque junto com o erro vem o feedback, e com o feedback vem a oportunidade de aprender e melhorar. Sem o erro, não tem evolução.

Então, não tenha medo de errar. Tenha medo de nunca aprender com seus erros.

#5 – E se está bom, continue testando coisas novas

Macaco oferecendo banana pro cachorro
Experimenta aí, pô…

Houve momentos do curso em que a gente conseguia encontrar algo engraçado. “Se você encontrou algo bom, continue, invista nisso!”, dizia o Esio.

Ao mesmo tempo, ele nos direcionava pra fazer isso na dose certa. Uma hora tudo cai na mesmice, até uma piada engraçada perde a graça se você repetir muitas vezes pro mesmo público.

caminho bom também pode virar uma zona de conforto, monótona e sem ação.

Na nossa carreira isso é muito comum. Encontramos uma boa empresa, um bom cargo, um bom salário, e ficamos lá por anos a fio, sem sair do lugar.

Não me entenda mal: não estou dizendo que é errado ficar na mesma empresa por muitos anos, e que é bom mudar de emprego como um macaco pula de galho em galho.

O problema é ficar acomodado, fazendo as mesmas coisas do mesmo jeito e por muito tempo.

Você precisa se reinventar a todo momento. A concorrência no mercado de trabalho é grande (principalmente em TI) e, se ficar de bobeira, as novas gerações passam por cima.

Há algum tempo atrás, era comum ver aquele tiozão/tiazona que ficava numa mesa lá no canto da sala, fazendo o mesmo trabalho todos os dias há anos.

Hoje em dia isso é bem mais difícil. O que se vê são planos de redução de custos bem agressivos, onde esses funcionários “enfeite de mesa” dão lugar a pessoas mais pró-ativas e com vontade de crescer.

Se a sua situação parece confortável demais, talvez seja uma boa hora pra mudar. E não precisa ser radical, mudar de cargo ou de emprego, nada disso.

Procure um curso, aprenda algo novo, um hobby, sei lá. Uma simples chacoalhada na mesmice pode mudar totalmente a sua forma de pensar, e isso pode ser muito bom pra sua carreira.

“Em time que está ganhando não se mexe”. Blé. Se fosse assim, o império romano tava aí até hoje.

#6 – Masterize a sua arte

Chaplin
Tá olhando o que?

Não é o cargo ou a sua posição na empresa que fazem de você um profissional incrível. É o quanto você se dedica pra masterizar a sua arte.

Ser palhaço é fácil, assim como é fácil ser jogador de futebol, músico ou programador. São profissões, como qualquer outra.

Agora, se você quer ser um profissional incrível, acima da média, precisa aprimorar constantemente as suas habilidades. E isso exige trabalho duro e dedicação.

O Esio tem uma expressividade monstra. Com uma mudança no olhar, na postura ou na entonação da voz, ele é capaz de alterar o sentido de uma frase ou de uma situação.

Dá pra notar que ali tem uma carga gigante de estudo e prática. É uma experiência obtida com muito esforço ao longo dos anos.

Tente se lembrar dos profissionais que você admira. Tenho certeza de que todos eles buscam ser os melhores do mundo naquilo que fazem.

Masterizar, se tornar um mestre no que faz, não tem nada a ver com talento. É estudar e colocar em prática, ir pra campo, se colocar à prova, experimentar, recolher feedback e crescer com ele. Todos os dias.

Seguindo por esse caminho, é impossível não se destacar no seu mercado. E o motivo é muito simples: o mundo está repleto de superficialidade.

Seja um artista no que quer que você faça. Se é um varredor de ruas, seja o Michelangelo dos varredores. – Martin Luther King Jr

Concluindo…

Homem palestrando

Há alguns meses atrás, eu vi um vídeo do Chico Montenegro onde ele comentou que queria fazer um curso de palhaço.

Aquilo atiçou a minha curiosidade. Num primeiro momento, eu pensei “Caramba, não sabia que existia isso”. Depois, me achei meio idiota: “Dããã, claro que existe, é uma profissão como outra qualquer”.

Eu procrastinei várias vezes a decisão de fazer esse curso, porque achava que não ia gostar, que ia me sentir mal.

Hoje, posso dizer que foi um dos melhores investimentos que fiz pra minha carreira nos últimos anos.

O curso de palhaço cutucou o meu lado humano, algo que eu sempre deixei meio de canto por achar menos importante – mas que é fundamental pra trabalhar em equipe ou ser um líder, por exemplo.

Ao rir de si mesmo, você remove os bloqueios do julgamento e se aceita. E depois de se aceitar, começa a aceitar melhor as pessoas ao redor, suas opiniões e suas diferenças.

Assim como faz o palhaço, que ri de si próprio, sabe aceitar aquilo que recebe, e ainda entrega alegria a quem está por perto.

Uma arte admirável, sem dúvida. 🙂

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Abraço!!

 

Créditos da trilha sonora da versão em áudio:

“Dreamer”, Kevin MacLeod (incompetech.com)
“Waltz of the Carnies”, Kevin MacLeod (incompetech.com)
Licensed under Creative Commons: By Attribution 3.0 License

  • Carlos Henrique

    Ótimo artigo André, por algum motivo eu acordei motivado a encontrar algum curso
    que me tire da comodidade do dia a dia, e por acaso encontrei um curso pra palhaço
    bem próximo de onde moro, e resolvi pesquisar um pouco e encontrei essa ótima leitura
    e me fez decidir em tentar. Muito Obrigado

    • Eu é que agradeço, Carlos! Fico realmente feliz por ter ajudado! Abraço!!