DM #60 – Uma ferramenta pra criar soluções melhores

Tempo de leitura: 5 minutos

Como criar soluções melhoresEu me faço essa pergunta a todo momento.

Muitos profissionais de TI tem dificuldade de elaborar boas soluções, e pedem ajuda de outros mais experientes na hora de analisar um problema.

Não tem nada de errado com isso, mas é aí que muitos se acomodam e não aprendem a andar sozinho.

O que eles não sabem é que existem ferramentas que podem ajudar a explorar um problema e propor boas soluções.

Nesse episódio do Desenvolver Mindset, eu falo sobre uma ferramenta que uso pra analisar problemas e desenvolver soluções. É simples, parece óbvio, mas na prática quase ninguém faz.

E mais abaixo tem a versão em texto, caso você prefira ler ou esteja sem acesso à redes de streaming.

Como criar soluções melhores?

Às vezes as pessoas pedem a minha opinião sobre uma solução, e a primeira pergunta que eu faço é: qual é o problema?

Normalmente, acontecem 2 coisas:

  • Elas não sabem explicar direito.
  • Elas acham que sabem, explicam, mas depois de explorar o assunto descobrem que entenderam tudo errado.

Se você não tem clareza sobre o problema, como vai propor uma boa solução?

Pensando nesse gap, resolvi compartilhar uma ferramenta que eu uso pra analisar problemas e desenvolver soluções.

Essa ferramenta é o PEN, uma sigla que representa 3 passos: Perguntar, Entender e Não se conformar.

Continua lendo aí, que eu vou te explicar como funciona.

Pergunte, seja curioso

Muitas pessoas recebem uma demanda e saem fazendo freneticamente, sem se preocupar em saber:

  • Qual problema precisa ser resolvido.
  • Em que contexto ele acontece.
  • Quais as evidências de que é realmente um problema.
  • Como ele afeta a vida dos envolvidos.
  • Qual a urgência real (porque tudo sempre é urgente).

Quando você não entende o problema, vai depender de outros pra desenvolver a solução.

E isso diminui a sua empregabilidade.

Pensa bem, qual a utilidade de um profissional que só segue ordens, e trabalha sem colocar a sua criatividade em ação?

Qualquer pessoa pode fazer isso, inclusive alguém que ganha menos do que você.

Aprenda a fazer perguntas provocativas e abertas, que estimulem as pessoas a falar sobre o problema. É nessa hora que elas vão lembrar os detalhes importantes.

Às vezes, a causa não está escancarada na sua frente, você precisa cavar pra achar. E a pá que você usa pra cavar é a sua curiosidade.

Um ponto que vale a pena citar é que pessoas com um perfil mais introspectivo tendem a questionar menos, porque tem medo de incomodar ou de entrar em conflitos.

Se é o seu caso, não se preocupe com isso. É claro que uns tem mais paciência do que outros, mas a maioria vê isso como um sinal de proatividade, de alguém que se interessa em aprender.

Entenda (de verdade)

O segundo passo é entender, que é o passo principal dessa ferramenta.

Só que é entender de verdade, não adianta fazer cara de paisagem e fingir que entendeu pra não parecer idiota.

Pode parecer óbvio, mas muita gente não se preocupa com isso, e acha que o importante é entregar o mais rápido possível.

Por isso elas esperam que alguém dê a solução, e aí é só botar a mão na massa e implementar.

Por isso elas entregam de qualquer jeito, e ficam com aquela sensação de que “algo parece errado”.

Por isso dá problema quando vai pra produção, e a empresa gasta uma grana com retrabalho.

Dedicar um tempo pra entender o problema não é um desperdício, é um investimento.

Não dá pra delegar a análise da solução pra uma pessoa mais experiente e pedir pra outra implementar. A chance disso causar um problema pior é muito grande.

Vou repetir: se você não tem clareza sobre o problema, não tem como propor uma solução.

O inconformismo é a cereja do bolo

O último passo é não se conformar. Esse é o grande diferencial dessa ferramenta.

Na hora de propor uma solução, a maioria das pessoas:

  • Se apega à primeira idéia e acha que ela vai ser a solução definitiva.
  • Se contenta com o entendimento atual do problema e não explora outras possíveis causas.
  • Aceita o status quo sem pestanejar: “o cara é mais experiente, logo a idéia dele é melhor”, “não temos tempo pra pensar em outras soluções”, “se o chefe mandou fazer, quem sou eu pra dizer que não”.

O inconformismo te obriga a encarar suas crenças limitantes. Você vai parar de dizer amém pra todas as demandas que chegam, mesmo que elas venham de alguém “mais esperto” ou com um crachá maior.

E é o inconformismo que cria o loop da melhoria contínua:

  • Você questiona sobre o problema.
  • Entende o que aconteceu e propõe uma solução.
  • Se sente inconformado com a solução.
  • Volta a questionar sobre o problema, procurando novas possibilidades.

Algumas pessoas interpretam essa atitude inconformista como arrogância, como mimimi, ou até como falta de respeito.

Não é isso. Tudo depende da forma como você se expressa.

Ninguém gosta de quem expõe sua opinião com soberba, que reclama por reclamar e discorda só pra mostrar que tem idéias melhores.

Se o seu interesse na melhoria for genuíno, todo mundo vai aceitar numa boa.

Concluindo…

Muita coisa no mundo é tratada como uma verdade absoluta, e não é bem assim.

Antigamente era um absurdo dizer que a Terra é redonda. E, sei lá, pode ser que no futuro descubram que andar pra frente é errado, e que a gente devia andar de costas.

O PEN é uma ferramenta que vai te ajudar a quebrar essas verdades, e vai te transformar em um profissional melhor.

Experimenta aplicar o PEN na atividade que você está fazendo hoje no trabalho. Tenho certeza que a sua entrega vai ser melhor, e que o resultado vai ser bem diferente do esperado.

Deixa um comentário aí embaixo e me conta como foi a sua experiência. Me diz também se você conhece alguma outra técnica, adoro essa troca de conhecimento.

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Abraço!